A Propósito de Quase Tudo

Alô?… Alô?… Onde param os outros

Os outros.png

 

 

Não há nada melhor do que, para se desviarem as atenções de uns, se aponte o dedo a outros…

 

Começaram as vozes contra o partido que mais assombra esta direita no poder, já de si assombrada.

O mote que a direita apregoa aos quatro ventos é a indefinição de António Costa sobre vários pontos caso o PS seja governo. Isto é, os arautos da direita, nomeadamente jornalistas e comentadores, pressionam António Costa para que desvende um programa antecipado de governo quando a coligação ainda não o fez. Se o fizesse estaria a dar trunfos ao Governo coisa que muito agradaria pois poderia ser aproveitado como arma de arremesso nesta pré-campanha eleitoral que se iniciou. Em política o segredo também é a alma do negócio. Bem podem esbracejar.

 

Por outro lado alguma imprensa e canais de televisão próximos do Governo utilizam fugas do segredo de justiça para atacar o PS através de processos sinuosos e desleais.

 

Desconheço, e de momento não me interessa, a veracidade ou não das suspeitas dos crimes imputados a Sócrates. O que se torna cada vez mais claro é que tudo isso mostra contornos de implicações políticas.

 

A indiciação de Sócrates veio dar uma ajudinha à ministra da justiça que tem andado pelas ruas da amargura e serve porventura para justificar a sua frase de "que terminou o tempo da impunidade". Pelos vistos, apena para alguns. "Outros" andam por aí a pavonear-se sendo os processos arquivados ou prescritos ou navegando em águas mansas. Não digo nomes procurem que encontram.

 

Não devemos, de momento, preocupar-nos com a detenção preventiva de Sócrates porque, até ver, é um facto consumado. Devíamos era começar a preocupar-nos com os que andam por aí à solta com suspeita do mesmo tipo de crimes e para os quais a justiça não tem sido tão célere.

 

Como é sabido, políticos de certa direita que passaram pelo aparelho do Estado, eis governantes bem conhecidos e eis autarcas desapareceram miraculosamente das páginas da imprensa e dos ecrãs dos canais da televisão. Apesar de viverem luxuosamente, de passarem férias milionárias fora do país, de viverem de altos rendimentos em países lusófonos, não há preocupação de como arranjaram o dinheiro para levarem esse nível de vida. Será talvez por pertencem a outra laia de gente que não interessa incomodar, não venha ao de cima muito lixo que implicasse pessoas bem colocadas na hierarquia do Estado.

Não há nada melhor do que, para se desviarem as atenções de uns, se aponte o dedo a outros…

0