A Propósito de Quase Tudo

O discurso de Luís Montenegro no Pontal ou comédia ao vivo

Discurso humorísticos de governante digno de filmes de comédia.

O discurso de Montenegro no Pontal foi hilariante. Recordei-me dos filmes de comédia de Groucho Marx, comediante e ator célebre como um dos mestres do humor. Fez treze filmes com os seus irmãos, os Irmãos Marx.

Associei ironicamente o discurso de propaganda de Montenegro e das medidas que diz terem sido tomadas pelo seu Governo a uma citação de Groucho que faz parte do vasto repertório de aforismos espirituosos e satíricos atribuídos ao comediante: "A política é a arte de procurar problemas, encontrá-los, diagnosticá-los incorretamente e aplicar os remédios errados.". Os casos mais evidentes são a Saúde, a Educação e o Trabalho e Segurança Social.

Às críticas do que está mal Montenegro associa a “criação de casos”. Disse que o país precisa de “crescer mais e melhor” e que o PSD está comprometido com reformas estruturais. Quais? As até ao momento precipitadas e falhadas. Na saúde admitiu dificuldades defendendo que o Executivo está a “arrumar a casa”. Arrumar a casa? É mesmo? Há dois anos prometeu medidas para melhorar e reforçar o SNS, mas nada se vê! Parece admitir que os problemas estão nas promessas falhadas de medidas para reforçar o SNS. O foco será apenas nos profissionais e nos tempos de espera?

Problemas atrás de problemas e promessas atrás de promessas, tais como “necessidade de valorizar professores e estabilizar carreiras”. Defendeu uma escola pública “exigente, moderna e justa”. Pode defender tudo o que quiser e mais alguma coisa, mas o problema está é na exequibilidade e incompetência dos ministros do seu Governo cuja escolha mais parece ter sido feita por prometimentos.

Mas, o mais hilariante centra-se na teimosia de Montenegro quando insiste em que não fará remodelações precipitadas e que o Governo está “coeso e determinado”. Coeso e determinado já todos vimos, mas no disparate e incompetência. Aos problemas com alguns dos seus ministros designa por “casos”. Sim, casos, bem complicados!

Montenegro parece querar ser humorista e constrói frases como estas: “O país tem de ter a coragem de falar mais das grandes coisas que estamos a fazer bem e falar menos das pequenas coisas que, porventura, não corram tão bem”. E critica, com um sorriso nos lábios, a existência de uma “censura moderna” e apelando a um país com “menos maledicência”. Acrescenta ainda que "Não podemos viver uma espécie de censura moderna em que as pessoas só conhecem, sabem e debatem os assuntos mais polémicos”. Hilariante demais! Mas, o sr. primeiro-ministro acha que em democracia devemos estar sempre de acordo e nada de críticas ao Governo e aos seus ministros?!

Um discurso à Groucho em que Montenegro nada tem a ver com a política dos seu Governo, a culpa é dos que arranjaram casos políticos recentes, da pressão mediática que não devia de existir e a tensões parlamentares sem razão de ser. “Portugal está melhor do que os portugueses pensam”. Mas que léria é esta?!! Para que lhe possamos dar razão precisamos de resultados visíveis. Onde estão eles? Não os dados pela propaganda, mas os reais. Pede também confiança. Confiança em quê e em quem? Direi que devemos antes é apelar à desconfiança.

Apela à confiança no projeto reformista do PSD e vaticinou ficar no governo até, pelo menos, 2034 e que a sua governação seria recordada como a de Cavaco Silva. Parece mais o título de um filme “agarrados ao poder”!

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